an abstract photo of a curved building with a blue sky in the background

Memórias – Entre Sítios e Desterros

Mario Gioia - Curador

/SOBRE

Em Memórias – Entre Sítios e Desterros, Raquel Fayad integra uma reflexão coletiva sobre os modos de habitar física, emocional e simbolicamente, um território em constante deslocamento. A exposição parte da memória não como registro estático do passado, mas como matéria viva, instável e pulsante, capaz de persistir mesmo diante da ruptura, da ausência e do desenraizamento.

O título da mostra evoca uma tensão central da experiência contemporânea: entre o sítio, entendido como lugar de permanência, pertencimento e enraizamento, e o desterro, marcado pela perda, pelo deslocamento e pela fragmentação. Nesse intervalo, surgem questões fundamentais sobre identidade, afeto, ancestralidade e sobrevivência. O que permanece quando o território muda? O que carregamos conosco quando somos atravessados pela distância, pela ruptura ou pelo exílio seja ele geográfico, emocional ou subjetivo?

Em diálogo com a curadoria de Mario Gioia, a presença de Raquel Fayad reforça e aprofunda questões centrais de sua pesquisa artística: o corpo como arquivo, a memória como gesto e o afeto como força de elaboração. Sua obra habita precisamente esse limiar entre presença e ausência, entre aquilo que foi perdido e aquilo que resiste. Em sua poética, lembrar não é apenas revisitar é reconstruir, reorganizar fragmentos e criar novas formas de permanência.

Realizada na Galeria Gare, em São Paulo, a coletiva reuniu 15 artistas em múltiplas linguagens, incluindo pintura, fotografia, desenho, escultura e instalação. Entre os participantes estiveram nomes como André Penteado, Antonio Pulquério, Bernardo Glogowski, Júlia Hallal, Miriam Bratfisch Santiago, Shay Marias e Raquel Fayad, compondo um conjunto de obras que investiga diferentes camadas da experiência de pertencimento e deslocamento.

Em Entre Sítios e Desterros, a memória emerge como território sensível: um espaço onde ruínas, vestígios e afetos não apontam apenas para aquilo que se perdeu, mas também para aquilo que insiste em permanecer. É nesse espaço de travessia que a obra de Raquel Fayad se afirma: como gesto de escuta, permanência e reinvenção.