an abstract photo of a curved building with a blue sky in the background

CAMPOAMOR

/SOBRE

Campoamor é um dos projetos centrais da trajetória artística de Raquel Fayad, condensando de forma sensível e visceral questões que atravessam sua pesquisa: memória, afeto, corpo e experiência sensorial. Partindo do café, sua materialidade, aroma, sonoridade e densidade simbólica, a artista constrói uma poética em que matéria e lembrança tornam-se indissociáveis.

Mais do que uma exposição sobre o café, Campoamor propõe uma imersão em camadas de tempo e afeto. O grão, a borra, o pó, o cheiro, o som do rastelo e do moedor, as xícaras, os guardanapos manchados e os vestígios dos encontros cotidianos transformam-se em linguagem artística. Em Fayad, o café deixa de ser apenas elemento cultural ou ritual social para tornar-se arquivo sensível: suporte de memórias, relações e silêncios.

A exposição articula pintura, instalação, vídeo, som e experiências multissensoriais para conduzir o visitante por um percurso que vai do grão à bebida, da terra ao gesto, da memória individual ao imaginário coletivo. Em obras e instalações como Toccata e Fuga, Chama e a própria Campoamor, a artista mobiliza som, movimento, matéria orgânica e presença corporal para criar experiências imersivas que convidam à escuta do espaço, do corpo e das memórias que nele reverberam.

Ao mesmo tempo, a mostra tensiona questões históricas e sociais ligadas ao café e à formação cultural brasileira, evocando discussões sobre trabalho, território, raça, herança e afetividade. A memória, em Campoamor, não aparece como nostalgia, mas como força viva: algo que persiste, se transforma e continua operando no presente.

Desde sua concepção, Campoamor vem ampliando seus sentidos a cada nova montagem, em diálogo com as arquiteturas e contextos institucionais que a recebem. A exposição passou pelo Museu de Salto, pelo Espaço Cultural Almeida Júnior em Itu, pelo Museu do Café em Santos e por outras itinerâncias, consolidando-se como um projeto em permanente transformação.

Em Campoamor, Raquel Fayad nos lembra que recordar também é um gesto corporal. Há memórias que não se acessam pela palavra, mas pelo cheiro, pela textura, pelo som e pela presença. É nesse território entre matéria e afeto que sua obra nos convida a habitar.